Acidente geográfico

O lago é plácido. Águas lisas, o calor do sol esquentando a superfície. O tempo demora a passar, brisa vem, o mato cresce em volta, devagar. Um pio, longe. O verão já está chegando. Cigarras. O lago é plácido, diferente de um rio. O que, invariavelmente, esquecemos: No lago, submersa, a natureza é a mesma. A placidez do acidente geográfico esconde a sua crueldade. É aí que tudo começa. Estava a menina da beira do lago, varinha de bambu, retratinho bucólico. Como eu disse: a placidez do acidente geográfico esconde a sua crueldade. Só encontraram um par de botinas, na margem, com duas meias enroladinhas, cada uma dentro de um sapato.

(Jô Hallack)

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