A revolução não será televisionada

Vamos passar o final de semana inteiro vendo televisão e comendo besteira?! Vaaamos! E pronto: lá estávamos, eu e ela, numa casa de serra tendo um salgadinho em uma mão e um controle remoto em outra. O paraíso na Terra.

Foi assim, meias se arrastando entre a cozinha e a sala, que começamos a assistir Discovery Channel. O programa era sobre o sexo entre os animais. Muito educativo.

A fêmea do Louva-Deus, por exemplo, come (literalmente) a cabeça do macho durante a cópula. Só que isso, ao invés de matar rapidamente o sujeito, faz com que ele fique superexcitado e coma (no sentido figurado) a louva-deus loucamente. Quando acaba o ato, ela está grávida e ele, morto.
Vejam o caso das hienas: a fêmea tem um clitóris tão, mas tão grande, que parece mais um membro masculino. Fica até ereto. Ela podem botar o pau na mesa, mandam em todo mundo do bando. Não preciso dizer que o clitóris avantajado faz com que as moças fiquem se esfregando entre elas e ignorem os machos, que ficam ao redor mendigando atenção para copularem de vez em quando.
O especial terminava com imagens inéditas de um verme do fundo do mar, que tinha um nome esquisito que começa com B. Apelidamos, carinhosamente, de Verme Bonelli. (Se você tem este sobrenome, entenda, não é um motivo pessoal. Foi o primeiro nome que nos veio à cabeça!) Pois a verme fêmea simplesmente fica guardando os machos dentro dela mesma. Eles ficam lá presos a vida inteira. Não podem sair para nada, nem para tomar chope com os amigos no Baixo Gávea, nem para ir à pelada. Sair para comprar cigarro, nem pensar! E ficam lá quietos, sem querer ter DR, dando prazer à verme fêmea! Isso que é vida!

Não preciso dizer que quando acabou esta aula de biologia já estávamos praticamente em pé no sofá – as duas – decretando uma nova revolução feminista (e colocando mais salgadinhos no forno). Como nós, mulheres, temos tantos percalços com os homens? É problema de relacionamento para cá, namoros fracassados para lá, tem dia que acordamos nos sentindo uó, choramos, nos sentimos rejeitadas, somos chamadas de rádio-patroa, temos que aturar os maiores absurdos em troca de uma cópula como, por exemplo, assistir a mesas-redondas.
Nós, as fêmeas!!!
Podem ir parando por aí!

A natureza é sábia e somos nós que mandamos nesta joça! Isso mesmo! E os homens que se cuidem! Tem que se dar por satisfeitos por não serem verme bonelli e pararem de dar trabalho!

Tor, o cachorro, único macho na área, sentiu o clima pesar para o lado dele e saiu à francesa. Comemos mais uns 20 salgadinhos e juramos que nunca mais íamos dar moleza para esta gente. A essa altura, toda a população de Pompéia já tinha sido carbonizada no programa seguinte, a história de Vulcão Vesúvio. Chatíssimo.

Mudamos de canal e foi aí que aconteceu o pior: acabamos vendo um filme de princesa. Era uma Cinderela com algumas adaptações ridículas, como ela ser amiga do Leonardo DaVinci. Ela comia o pão que o diabo amassou, era gongada por todos e até humilhada pelo príncipe. Mas, no final, ele a salvava e aparecia num cavalo gritando ‘eu te amo’. Choramos , eu e ela, discretamente.

Nunca uma revolução durou tão pouco tempo.

(Jô Hallack)

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