Prato feito

Dividiam, todo dia, o PF e a vida.
Na mesa dos fundos ficava um sujeito que adorava comentar futebol com os garçons e comer a feijoada, que era servida, como uma cortesia, somente às sextas-feiras.
Um dia eles chegaram lá e, simplesmente, o sujeito não estava. Pensaram que era o horário, mas não. Ele não apareceu na semana seguinte. Nem na outra. Nem nunca mais. Sua mesa ficava vazia, como se estivessem esperando por ele, o melhor dos clientes, nem mesmo os garçons sabiam do paradeiro do freguês.
E eles continuaram com a vida simples, que é a única coisa que a gente pode esperar dela, não espere iates, dólares, excentricidades. Não espere o carnaval. A vida é simples. Por isso, lá estavam eles. Dividindo, todo dia, o PF e a vida. Garçom, por favor, um mate com limão, dois copos e a conta.

(Jô Hallack)

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