Uma garota carioca em 2009

A menina era de classe média e com pinta de moderninha. Até que soltou. “Ah, mas a praia do Arpoador domingo só tem favelado. É favelão” Tem vezes que náo dá para ficar quieta. “Só tem favelado, mas que coisa feia de se dizer.” Mas ela continuou: “eu gosto da praia de Ipanema porque lá a frequencia é mais EXCLUSIVA”.

Estamos falando do Rio de Janeiro. Estamos falando de uma menina jovem. Praia exclusiva? Como? Bolha anti-gente? E no Rio de Janeiro? Talvez eu seja maluca. Mas quando eu escuto uma coisa dessas eu deixo a pessoa parada sozinha e saio andando. Feito uma louca. Mas espera, ela que falou em praia exclusiva e eu que me senti louca porque disse “náo dá”e fugi?

As pessoas em geral preferem fingir que não ouviram. Mas eu nem sempre consigo. E também náo acho que a gente deva sair ouvindo atrocidades, preconceitos descarados e surrealidade (porque frequentar uma praia na cidade onde a coisa mais legal é justamente a MISTURA e procurar por um lugar exclusivo para mim é um pensamento surrealista, sim, estou tentando ser educada e náo ofender a moça).

Um comentário desses parece bobagem, mas não é. É sério. É perigoso. E já que estou na fase Morrissey, uma ultima citação traduzida mal e porcamente. “O mundo é cheio de bobos perigosos. Mas eu não sou um deles. Não, eu não sou. Entáo, me abrace e me console”. Mas não. A maluca fui eu. Não fui consolada. E fui embora sozinha pensando nisso tudo e nos amigos que se revoltam. Ainda. Eu tenho vários. E sou muito grata a eles por isso.

(Nina Lemos)

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