O Michael e os tempos modernos

Ele não queria envelhecer. Aí fez um monte de plástica, mudou de rosto, virou outra pessoa. Ele também não queria morrer. Por isso andava na rua de máscara e dormia dentro de uma câmera hiperbárica que o preservasse para sempre. Michael também não queria sentir dor, para isso se injetava com morfina.

Nada contra ele (muito pelo contrário). Mas que isso parece um conto de terror dos tempos modernos, ah, parece. Que símbolo mais maluco de uma época em que não podemos envelhecer, morremos de medo de vírus e, consequentemente, de viver. Papo cabeça, eu sei. Mas não consegui não pensar em como essa morte do Michael é uma metáfora maluca dessa era da “preservação” que a gente vive.

E nem falávamos do Michael, mas um amigo me lembrou agora de uma frase do Pereio que tem tudo a ver com isso: “VIVER É GASTAR”. Acho que o Michael não sabia disso. De novo, com todo o respeito.

(Por Nina Lemos)

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