Meu deus, fiquei para titia

Aconteceu muito de repente. Todos os meus primos de um lado da família tiveram filhos. TODOS. Os delinqüentes, os muito mais novos que eu, os queridos. TODOS. Percebi em uma tarde de quarta-feira que eu tinha ficado para titia. E olha que amo ser tia e sou a melhor tia do mundo. Adoro os sobrinhos primos, compro um milhão de presentes, converso com todos, me orgulho. E os pais dos sobrinhos me aceitam.

Eles sabem que eu sou a melhor tia do mundo. E também não questionam as opções que eu fiz na vida.

Não, eu não estou afins de ter um filho no momento. Mesmo. Estou satisfeita com a minha vida (na medida em que um ser humano normal pode estar satisfeito com a sua vida, claro). Mas falo com toda a sinceridade do mundo que esse ano estou mais interessada em ir para a Bósnia e escrever um livro novo. E que hoje em dia a idéia de morar na Europa um tempinho me seduz mais do que ter um bebê.

Explico tudo isso para dizer que o sentimento de derrota que me apoderou naquela quarta-feira não era inveja, não era desejo frustrado, não era nada disso. Eu simplesmente achei que eu era diferente de todo mundo e que isso era ruim. Pior, era um pesadelo. Era desesperador. Liguei para duas amigas sem filhos durante a crise. Elas me entenderam e me consolaram. Sim, elas também surtam no meio da tarde por sentirem que não fizeram uma coisa que todo mundo fez. Passou. Fui ao show do Fellini e chorei. E dessa vez foi de alegria.

(Nina Lemos)

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