A madrinha mais maluca do mundo

Eu já desconfiava de que eu seria a melhor madrinha do mundo. Inclusive, passei parte da vida adulta implorando por um afilhado entre familiares. O que eu não imaginaria é que eu também seria a madrinha mais maluca do mundo.
Tive certeza disso num dia do Carnaval. A Dani, a comadre, aparece com um arco de cabelo em cima do olho (porque ela é a mãe mais maluca do mundo) e diz. “A Janaína adora quando eu faço essas palhaçadas”. E eu respondo. “Sabia que eu vi em algum lugar que as crianças de um ano gostam e entendem essas coisas, tipo, elas percebem quando os óculos de alguém estão ao contrário.” “Você leu isso no livro O que esperar do primeiro ano”, ela respondeu. “Mas como assim, eu nunca li esse livro!”
E foi aí que veio a bomba. “Você leu sim, em Berlin, no capítulo de crianças super-dotadas.”
Escuta, eu estava em Berlin, com os amigos na rua, os homens de legging, os caras dos squats, os punks de esquerda, a H&M em promoção, os brechós, as exposições e a estátua do Marx e… perdi parte do meu tempo lendo um livro de bebë! E ainda escolhi o capítulo das crianças super dotadas! E ainda debatemos o livro, tendo certeza, claro, de que a Janaína era uma delas.
Deus proteja o mundo! Eu não posso ter filhos, tive certeza disso depois dessa. Eu ficaria louca. Quer dizer, eu já sou a madrinha mais maluca do mundo. E agora não duvido mais de que eu seja capaz de ler qualquer tipo de livro sobre crianças. Como criar meninas? To dentro! Adeus, obras completas do Fitzgerald!

(Nina Lemos)

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