Eu queria ser amigo do Renato Russo

Quando eu era adolescente, sempre que ficava triste (o que acontecia todo dia), ouvia Legião Urbana. Me trancava no quarto e chorava horrores. Hoje, quando fico triste, ouço um monte de coisas e não preciso mais me trancar no quarto, já que moro sozinha, com uma casa grande toda para mim. Mas ainda escuto Legião Urbana às vezes. E, mais de 20 anos depois, Renato Russo ainda me faz bem.
Cafona falar que gosta dele, não? Pois eu sou cafona. Sou cafona pra caralho! Ou como dizem os modernos burgueses de São Paulo, eu sou baiana. Acho que o Renato não gostaria de saber que baiano é xingamento usado por gente jovem e teoricamente moderna. Acho que o Renato não gostaria de um monte de coisas que a gente tem visto por aí. Ele odiaria o Dourado do BBB. Alguma dúvida?
Vou ser mais cafona e baiana ainda. Eu queria que o Renato Russo tivesse vivo e fosse meu amigo. Pronto. Falei. Eu queria que ele tivesse ido comigo ontem ao show do Wander, que tem 51, quase a mesma idade que o R teria. O WW, que não tem medo de ser cafona, muito pelo contrário, adora as músicas do Renato
Eu também levaria o Renato para dar uma volta no Baixo Augusta e mostraria para ele os Emos. Vocês não acham que ele simpatizaria com eles? Algo me diz que sim. Mas chega de devaneio.
O que interessa é que eu gostava de coisas boas quando era adolescente. E ainda gosto delas. E vou aproveitar que estou triste para chorar ouvindo o Renato Russo dizendo uma coisa muito moderna. “Amar ao próximo é tão demodë.”

(Nina Lemos)

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