As festas clandestinas

Fecharam uma festa clandestina aqui em São Paulo. Todo mundo sempre disse que era muito legal. A festa rolava em um prédio no centro, meio ocupado. E lá as pessoas fumavam cigarro (essa coisa tão simples que virou contravenção pesada), o ingresso era barato e a freqüência misturada. Não tinha carão. O endereço era passado na ultima hora por e-mail. Eu sempre recebia o endereço. Mas por comodismo, preguiça e velhice, acabei não indo. Agora, fecharam a tal festa.
Claro, era uma festa clandestina. Não tinha alvará. E as pessoas não seguiam todas as determinações da prefeitura e do governo do estado. Aquelas todas: não pode fazer barulho, não pode fumar, não pode, não pode, não pode, NÃO PODE! Não pode nada. Em SP, atualmente, não pode nada. Mas eu acho que, não por acaso, a cidade poucas vezes esteve tão legal. Qualquer passeio no Baixo Augusta mostra isso. Abre um bar atrás do outro, as pessoas se vestem como querem sem levar pedrada, e se não pode fumar nos lugares, elas fumam na rua. O que é perigoso, porque aí podem reclamar que elas estão fazendo barulho e chamar o Psiu. Assim anda São Paulo.
A festa mais legal que eu fui ano passado também era clandestina. Foi em um prédio ocupado em Berlim. Também podia fumar na pista. O ingresso custava um euro e eles te davam água de graça. Não tinha segurança, porque não precisava. Todo mundo estava feliz, impossível acontecer algo de ruim ali! Perigoso é festa cara cheia de playboy, não?
Eu estava toda feliz por saber que em SP estava rolando uma festa parecida. Mas agora fecharam a festa.
O que seria da cultura pop sem a clandestinidade? Os shows punks tinham alvará? As raves tinham autorização? Ok. Esse texto pode não ter muito a ver com o que eu costumo escrever nesse blog. Mas espero que vocês entendam.
Meus amigos não falam de outra coisa. E, quando falam disso, falam de liberdade. E só as pessoas conversarem sobre essas coisas, bem, eu acho que isso é muito bom. A gente vive uma era moralista. Mas, ao mesmo tempo, essa é uma época muito boa. Eu acho.

(Nina Lemos)

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