Síndrome de Maneco Quinderé

Tenho reparado um fenômeno crescente em nossas cidades: a necessidade de iluminar artisticamente o mundo. Um canteiro, uma portaria, uma praça, as obras públicas. Tudo ganha uma iluminação artística. E com cores. É a Síndrome de Maneco Quinderé.

Antes, a iluminação noturna servia exclusivamente para afastar meliantes. Para avisar de buraco. E para servir de cenário para romances policiais. Mas para os portadores da Síndrome, tudo precisa de um tchan! Viram o que aconteceu com o Cristo Redentor? O monumento agora é multicolorido. Verde, rosa, vermelho, azul. Ou seja: cada hora fica horrivelmente de uma cor. Ser crucificado foi o de menos, Jesus!

E as autoridades se mobilizam para iluminar até mesmo viaduto, passarela, Igreja da Penha, estação de trem abandonada. E até mesmo construções que mereciam ficar para sempre na escuridão, caso da Catedral Metropolitana do Rio, iluminada de vermelho e roxo caixão. É como se a cidade fosse um cenário de Os Embalos de Sábado à Noite. Ou estivéssemos aprisionados naquele pôster da escada neón nos anos 80.

Mas agora, o problema se agravou. Qualquer cidadão está se achando no direto de se sentir o próprio Maneco. E criar. Volto para casa à noite. No prédio vizinho ao meu, a árvore é iluminada de verde. Verde, vejam só a criatividade do sujeito, só pode ser um exercício de metalinguagem. No prédio da rua vizinha, spots amarelos dão um “plus a mais” na portaria. E andando mais um pouco, a tendência é o hall com luzes cor de abóbora. E os donos do Palácio das Lâmpadas só fazem enricar.

Porque para os portadores da Síndrome de Maneco Quinderé, tudo nasceu para brilhar!
Que saudades do hype da iluminação indireta!

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